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08/12/2025 Esporte

Um time que é mais que 11

Chapecoense retorna à série A e reacende o orgulho do município que tem a equipe como um símbolo que transcende o futebol

Na tarde de 23 de novembro, a Associação Chapecoense de Futebol voltou a escrever seu nome na história do esporte nacional. Após quatro anos longe da elite, o Verdão do Oeste garantiu o retorno à Série A do Campeonato Brasileiro ao vencer o Atlético-GO por 1 a 0, na Arena Condá, pela 38ª rodada da Série B. O resultado coloca a Chape novamente entre os grandes do país em 2026 — feito ainda mais expressivo por ser o único clube catarinense a conquistar vaga na elite na próxima temporada.

Jogando em casa, a Chapecoense encontrou uma Arena Condá pulsante. Quase 20 mil torcedores lotaram o estádio, transformando-o em um caldeirão e dando ainda mais sentido ao mantra que já virou marca registrada do clube: “somos mais que onze”. O torcedor foi o 12º jogador em campo e fez toda a diferença.

O gol do acesso veio dos pés de Walter Clar, em cobrança de pênalti que explodiu a Arena e abriu caminho para uma das maiores festas da história recente do clube. Assim que o jogo terminou, torcedores invadiram o gramado e celebraram lado a lado com os jogadores e comissão técnica. Na cidade, buzinaço, passeata e bandeiras tingiram as ruas de verde e branco, mostrando que o feito é de todo um povo.



Um retorno que carrega memória, superação e identidade

O acesso marca o terceiro retorno da Chape à Série A. O primeiro, em 2013, iniciou uma sequência histórica de seis anos consecutivos na elite. O segundo, em 2020, coroou a equipe com o título da Série B. Agora, sob o comando de Gilmar Dal Pozzo — técnico que também liderou o clube em acessos anteriores — o time escreve um novo capítulo.

A vitória carrega, ainda, a profundidade de um símbolo. Nove anos após a campanha na Copa Sul- -Americana e da tragédia que marcou a história do clube e de toda Chapecó, o Verdão mais uma vez mostra sua capacidade de renascer, reconstruir e inspirar

A campanha de 2025 reafirma a força desse projeto: a Chapecoense encerrou a competição na 3ª colocação, somando 62 pontos, 18 vitórias, oito empates, 12 derrotas, 52 gols marcados e saldo positivo de 17.

Dias antes do jogo decisivo, Dal Pozzo resumiu, em coletiva para a imprensa, o espírito da equipe e o que o futebol representa para a cidade. “Independente do resultado, esse grupo merece ser aplaudido de pé. Nos preparamos muito para este momento. Amo esse clube e estou em paz com o que entregamos nesta temporada. Mais que os acessos, deixamos um legado muito forte, além das conquistas dentro de campo. Somos responsáveis por ser exemplo na sociedade. Vamos voltar para Série A com 20 mil pessoas no estádio. Isso é um legado muito bonito que estamos deixando”.


O sentimento dos protagonistas 

Após o apito final, no vestiário, os jogadores gravaram mensagens emocionadas aos torcedores. Cada fala reforça que o acesso não é apenas uma conquista esportiva, mas um capítulo coletivo da história do município.

Para o meio-campista Giovanni Augusto, a temporada ficará marcada. “O sentimento é de gratidão por tudo que vivi aqui. Começamos o ano querendo entrar para a história do Clube. Só tenho a agradecer por tudo que conquistamos. Um novo tempo chegou para a Chapecoense e o torcedor merece essa alegria”

O atacante Pedro Henrique Perotti, cria da base e morador de Chapecó há 12 anos, reforçou o vínculo entre clube e comunidade. “A Arena pulsou e a cidade jogou junto conosco. Vivo em Chapecó há 12 anos e a Chapecoense tem muito de quem sou hoje. Eu entendo o peso que tem vestir essa camisa. Esse grupo é muito merecedor”

O capitão Bruno Leonardo expressou a luta e a resiliência que marcaram a campanha. “Fomos desacreditados por muito tempo, mas jogamos todos os jogos com muita humildade. Esse grupo entendeu e honrou o que é ser Chapecoense. E como resultado, conquistamos o acesso à Série A”.

A Chapecoense sempre foi mais do que um time de futebol para a cidade. É expressão de pertencimento, memória coletiva e identidade regional. O retorno à Série A reacende o orgulho do torcedor, movimenta a economia local, fortalece o nome de Chapecó no cenário nacional e, acima de tudo, prova que quando a cidade e o time caminham juntos, o impossível deixa de existir.

A festa que tomou conta das ruas é a mesma que pulsa no coração de cada chapecoense: a certeza de que o Verdão do Oeste segue escrevendo sua história e ela continua sendo gigante. 


Fotos Rafael Bressan/ACF

AUTORA

Carol Bonamigo

Jornalista, especialista em Cinema e Realização Audiovisual, Diretora de Jornalismo e sócia da revista Flash Vip
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