Em meio a um cenário nacional de queda no número de leitores, uma nova geração encontra nos livros um espaço de afeto, fuga e pertencimento.
Em um país onde mais da metade da população admite não ter lido sequer parte de um livro nos últimos três meses, falar de leitura parece, à primeira vista, remar contra a corrente.
A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) por iniciativa do Instituto Pró-Livro (IPL), revelou uma queda significativa no número de leitores: foram quase 7 milhões a menos nos últimos quatro anos. Pela primeira vez desde que a pesquisa iniciou, os não-leitores são maioria: 53% da população ouvida.
Mas os livros – teimosos, como são – seguem resistindo. E nas mãos certas, seguem encantando. Em pequenos círculos, em cafés tranquilos, em clubes silenciosos e timelines fervilhantes da tela do celular, há um outro retrato se formando: o de pessoas que encontram nos livros um espaço de refúgio, de troca, de pertencimento. Um mundo inteiro dentro de uma página. E este é o papel do livro – sem intenção de trocadilho.
Você, leitor, já sentiu que um parágrafo traduziu um sentimento que não conseguiu expressar? Já leu algo que te acalentou quando ninguém ao seu redor sabia o que dizer? Terminou uma história com sensação de conquista? Sentiu que um personagem segurou a sua mão e o compreendeu no silêncio? Em meio ao caos da sua mente, a leitura foi a sua paz? Ou ainda achou a sua própria voz nas palavras escritas por outra pessoa? Estamos aqui para falar sobre isso.
Em uma tarde de inverno, um café de Chapecó serviu de cenário para uma conversa entre três amigas. A mais experiente – não apenas na idade, mas na jornada literária –, a supervisora administrativa Kamila Bonamigo, de 37 anos, chegou carregada de livros. Logo entregou um para a engenheira civil Ketlin Berton, de 27 anos, e uma série completa para a estudante Yasmin Sachetti da Silva, de 14 anos.
O que uniu essas três mulheres de gerações diferentes foi o amor pela leitura, impulsionado por quem compartilha histórias como quem oferece um amigo extra para se juntar à mesa. “Leio para desligar a cabeça. Faz eu querer conhecer lugares diferentes. Conforme o escritor vai descrevendo os locais, quero conhecer ainda mais. Gosto de entrar em uma história diferente, imaginar os personagens, as situações e mergulhar neste mundo”, conta Kamila, que criou o hábito da leitura ainda criança, quando frequentava a biblioteca municipal enquanto esperava a mãe sair do trabalho, após a escola. Kamila é colega de academia de Ketlin e, durante uma conversa sobre uma ida ao cinema, conseguiu fisgar a atenção da amiga. “Estava contando que ia assistir É assim que acaba (adaptação do livro homônimo de Colleen Hoover) e ela me disse que não poderia ver o filme sem ler o livro antes, e me emprestou o livro. Li em dois dias”, lembra Ketlin que, desde então, redescobriu o prazer da leitura e não parou mais. As duas estão sempre recomendando títulos uma à outra e conversando sobre as histórias e personagens como se fossem parte do grupo de amigos. Em outro círculo social, Kamila conheceu a auxiliar administrativa Roselaine Sachetti, cuja filha, Yasmin, queria indicações de títulos adequados para a sua idade. Assim, Kamila fez uma curadoria da sua própria estante, tirou livros da prateleira e os deixou passear. “Na minha escola, temos que ler um livro por mês, mas a professora alterna entre leitura obrigatória e livre. Leio porque eu gosto. Recentemente, gostei muito de A lista de Brett (da autora Lori Nelson Spielman, recentemente adaptado para um filme da Netflix), que a Kamila me emprestou. Achei a escrita e a história muito boas e a relação com a mãe dela é muito forte”, relata Yasmin.
A conversa se sobrepõe, mais livros são indicados, opiniões são comparadas e histórias de vida compartilhadas. O gênero preferido é unânime: romance contemporâneo, seguido de fantasia e suspense psicológico. “Gosto sempre de pensar ‘o que eu faria se estivesse no lugar deste personagem?’. Conforme a história vai se desenvolvendo, você entende as atitudes e começa a associar isso até no seu dia a dia, ajuda a pensar com outras cabeças e outras realidades, você passa a ter mais empatia. Sem contar que me ajudou muito a me comunicar com mais clareza e confiança, até mesmo no trabalho”, revela Ketlin e Kamila completa: “Até porque a leitura te ajuda a desenvolver o vocabulário e a escrita. Você consegue organizar melhor as palavras”.
As três concordam que não têm muitas pessoas em seu entorno que compartilham do gosto pela leitura, e Kamila tenta transmitir sua paixão adiante não apenas para as amigas, mas para seu filho, Pedro, de 5 anos. “Lemos juntos todos os dias”, diz. No primeiro semestre deste ano, ela concluiu 16 livros e já foi “ultrapassada” pela sua pupila, Ketlin, que completou 22 títulos até o momento. Mas não se trata apenas de metas ou gostos, mas de viver a leitura como um laço e um gesto de afeto.

Em outro canto da cidade, entre prateleiras e estantes da Livraria Letture, a professora, autora e livreira Eliziane Nicolao vive a literatura como vocação. Ela conduz clubes de leitura com crianças e adultos, leciona e cultiva leitores com a paciência de uma jardineira. “O Clube da Leitura vai ensinar as crianças a se apropriarem dos livros para terem uma vida melhor. É preciso trabalhar o apreço à literatura nas pessoas. Por isso que gosto de trabalhar com as crianças, porque sei a semente que estou plantando ali”, revela.
Através da leitura mediada, seja o público infantil ou adulto, Eliziane entrega uma “caixa de ferramentas” para auxiliar as pessoas a construírem pontes entre si. “Os livros tratam de assuntos reais. Um romance, muitas vezes, fala sobre carreira, relacionamentos, filosofia, parentalidade, sexualidade, traz tudo para refletirmos sobre a nossa vida. Além disso, a literatura tem o papel de te fazer viver várias vidas. O livro parado na estante não cumpre a sua função. Não importa qual o gênero ou de onde vem, se um livro está fazendo alguém ler, ele já é fantástico!”, afirma.

E pensando nisso que a Letture abre suas portas para os leitores que querem, mensalmente, tornar a leitura coletiva. Ler, aqui, não é um ato isolado. É construção de comunidade, mesmo que feita página por página.
Em uma noite fria de segunda-feira, 10 mulheres carregando o mesmo livro se encontraram no mezanino da livraria. O grupo pode mudar a cada mês, mas o objetivo continua o mesmo: conversar e compartilhar. Kaliane, Fernanda, Alice, Jessica, Bruna, Carol, Letícia e Ana Mariah juntaram-se a Eliziane e, mediadas pela professora Glenda, iniciaram a discussão da escolha de junho: Três, da autora francesa Valérie Perrin. Chá quentinho e croissant de chocolate as aguardavam para entrar no clima. “Não via a hora de chegar o dia de hoje para falar com alguém sobre esse livro”, chegou Kaliene, entusiasmada.
Um momento precioso. As perguntas provocativas de Glenda instigam uma conversa cheia de opiniões. O que inicia como troca de visões sobre o livro, logo se transforma em uma partilha de suas próprias histórias de vida, que contribuem para o entendimento que tiveram daquela narrativa.
Em dado momento, Jessica comenta que “a carta da mãe me pegou forte, chorei horrores”. Algumas cabeças balançam em concordância. “E eu já não gostei tanto, porque achei meio corrido”, rebate Kaliane. Quando todas reclamam da atitude de determinado personagem, Alice defende: “Em muitas casas é bem isso que acontece. Ao invés de lidar com o problema, a pessoa foge”
No meio das discussões, debatem não apenas a história, mas também a abordagem da autora, se foi sutil ou superficial, se foi bem sucedida. “Terminei o livro e tive que ligar para um amigo e perguntar se ele estava bem”, conta Letícia, ao revelar um pouco do contexto da preocupação. “Essa é uma história que eu não vou esquecer”, diz Ana Mariah.
“Tem trechos do livro que foram doídos de ler e enxerguei muitas coisas. Ele toca em pontos sensíveis enquanto família, enquanto ser humano”, desabafa Glenda e Eliziane rebate: “É isso que o romance faz, ele traz a reflexão da nossa vida, traz uma ajuda”.
E assim, o Clube do Livro se transforma, ganha ares de grupo terapêutico, espaço de escuta e ampliação de mundo. A leitura, antes solitária, torna-se coral. E cada história lida ganha ecos na vida real. Se nossos horizontes se ampliam através da leitura, eles se expandem ainda mais quando essa experiência é compartilhada.
Para o historiador, escritor e editor Fernando Boppré, o prazer em entrar em uma livraria, encontrar uma parede forrada de livros e poder manuseá-los, é imensurável. O proprietário da Humana Sebo e Livraria, vê o livro como arte, produto cultural e símbolo e afirma: mesmo com a concorrência – muitas vezes desleal – do mercado online, nada pode substituir o ato de frequentar uma livraria. “A livraria sempre foi pensada como um espaço de encontro entre pessoas, ideias e livros. Um local de liberdade, para que se possa falar livremente, se encontrar para debater sobre pensamentos, histórias e cultura. O simples fato das pessoas se encontrarem para debater sobre arte, é muito potente”, opina o livreiro que, desde 2019, já promoveu mais de 200 eventos gratuitos para a população chapecoense através da Humana, que também é uma editora independente.
Para ele, as pesquisas oficiais não refletem o que de fato acontece no cotidiano e há um interesse crescente – principalmente dos jovens – pelos livros. “Vejo muito aqui na livraria a meninada em busca do prazer da leitura e ela desenvolve o que chamamos de ‘capital social’. Percebo que cada grupo de interesse tem um nicho específico. É que nem ir a uma loja de roupa. Se você está com frio, você compra roupa para se aquecer, e quando essa peça não te serve mais, você tira da sua estante e leva para um sebo. É mais ou menos isso. O livro tem que te vestir, você tem que se sentir acolhido por ele e ele tem que te dar prazer. Se você não tiver prazer na leitura, não funciona”.

A analogia fala de acolhimento e valor afetivo. Não é possível quantificar, em valor monetário, o quanto uma leitura te enriquece. E conforme Fernando, não importa o que, não importa o quanto, o importante é ler! “O ser humano, na sua essência, precisa de arte. A arte é estruturante da nossa vida. Esses atos de reverberação em torno do livro são muito bons. E nisso entram os criadores de conteúdo literário no YouTube, Instagram e TikTok – quanto mais conteúdo a gente tiver sobre essa questão, mais as pessoas terão chaves de entrada para isso. As livrarias, como um todo, tiveram que também se reinventar nos últimos anos. Não somos mais só um local onde as pessoas vão comprar livros, somos espaços onde as pessoas precisam se sentir acolhidas”, reconhece, convidando mais leitores a se encontrarem pelas prateleiras.
Saindo das páginas para as telas, o universo virtual parece exatamente isso: um outro universo. Lá, uma nova história se escreve, feita por leitores que recomendam livros em vídeos de 30 segundos, clubes de leitura criados por jovens no WhatsApp e romances que viralizam e esgotam nas livrarias. Um movimento potente, que transforma telas em vitrines de histórias.
Enxergando este potencial mercadológico, o TikTok foi patrocinador master da Bienal do Livro do Rio de Janeiro em 2025, um marco simbólico de como as redes sociais vêm ressignificando a leitura. Ali, o digital encontrou o impresso. E criadores de conteúdo literário, ou booktokers, se tornaram vozes para uma nova geração de leitores.
Um desses produtores de conteúdo é Rodrigo de Lorenzi, que com humor, amor aos livros e algumas taças de vinho, cultiva mais de 480 mil seguidores nas plataformas digitais, somando Instagram e TikTok. Seu conteúdo transita dos clássicos à fantasia, dos thrillers aos romances, sempre com leveza e autenticidade. O que começou como um hobby, no tempo áureo dos blogs, hoje é profissão. O crescimento orgânico foi rápido, os acessos cresceram e as parcerias com editoras surgiram. “O TikTok revolucionou o mercado editorial, não somente no Brasil, como também no mundo. E só vejo ganhos, tanto para as editoras quanto para a comunidade como um todo. Tirando os clubes de livro, a leitura sempre foi uma atividade solitária. E nas redes sociais você encontra seu nicho, o gênero de livro que gosta, e vai formando a sua turma. Acho que foi uma explosão de comunidades de leitores. O que muita gente ainda não vê é a importância desses influenciadores para a formação de leitores. Quem ainda não lê, acaba tendo vontade de ler por causa dessas pessoas. Esse é um retorno que eu recebo muito”, relata.
Tratando-se de opinião, que é completamente subjetiva – um livro que funciona para um pode não agradar a outro –, abre-se margem para discussões que, muitas vezes, podem se tornar acaloradas. E Rodrigo entende o quão cuidadoso é preciso ser ao criticar a obra de um autor. “Conforme vai crescendo neste meio, como produtor de conteúdo, você tem uma certa responsabilidade sobre o que vai falar. É importante ser sincero, mas também ter maturidade nisso. Pode falar que não gostou de um livro, mas tem maneiras respeitosas de fazê-lo. Há quem goste de ser agressivo e incisivo – porque isso dá visualização –, mas não é como eu escolho fazer. Às vezes são autores que estão começando e você pode realmente prejudicar a carreira de alguém com uma crítica. Isso é muito perigoso. Os criadores do conteúdo podem prejudicar a venda de um livro e até mesmo a autoestima de um escritor. Tem que ter cuidado. Afinal de contas, a sua opinião não é decisiva para o mundo”. E talvez seja por essa consciência da sua responsabilidade nesta cadeia literária que Rodrigo faça parte de uma comunidade respeitosa e saudável, como ele mesmo descreve.
Ele costuma dizer que “leitores falando com leitores” é o que torna tudo mais genuíno e essa horizontalidade tem dado nova vida à literatura. “Antes quem falava de literatura estava em outro patamar que o leitor. E com as redes sociais você iguala a balança, você fala de livros para quem está lendo e eles podem rebater”.
Não por acaso, várias livrarias dedicam ao menos uma prateleira de livros ao que chamam “Indicados pelo BookTok”. E esse reconhecimento, tanto do público quanto das próprias editoras, rendeu a Rodrigo convites para conduzir mesas de debate durante Bienais. Mais recentemente, ele mediou o painel com a escritora canadense Brynn Weaver, autora da trilogia Morrendo de Amor, durante a Bienal do Rio. “Isso está expandindo meu universo da literatura, pois estou conversando com os autores, com outros produtores de conteúdo, com especialistas dessa área, tem sido uma experiência muito gratificante, me sinto honrado”, conclui.
No primeiro semestre de 2025, houve um aumento de 28% nas buscas com as hashtags #booktok ou #booktokbrasil. Nos primeiros quatro meses do ano, foram publicados mais de 980 mil vídeos relacionados ao tema no Brasil, uma média de 40 mil por semana. Globalmente, são mais de 60 milhões de publicações sobre booktok na plataforma. Com essa crescente, a ByteDance, empresa chinesa proprietária do TikTok, deu um passo importante para se estabelecer no mercado editorial, expandindo seu selo 8th Note Press para publicações impressas.
A Bienal do Livro Rio 2025 – o maior festival de literatura do país – registrou um aumento de 23% no público e nas vendas, com 740 mil visitantes e 6,8 milhões de livros vendidos. O evento teve o TikTok como um dos patrocinadores master.
Enquanto Rodrigo indica livros entre uma taça e outra, do outro lado do hemisfério, a criadora de conteúdo norte-americana Tiffany Porter transforma sua paixão por audiobooks em ofício. Seus vídeos – que chegam aos seus mais de 87 mil seguidores, entre Instagram e TikTok – exaltam os narradores e combatem preconceitos com o gênero romance, e com os próprios audiolivros. Para ela, escutar também é uma forma de ler. E o amor pelas histórias é maior do que o formato. “Quando eu ouvi um audiobook pela primeira vez, fiquei muito surpresa com o quanto tornou aquele livro real para mim. Percebi que não era apenas uma leitura, mas sim uma atuação, um ator colocando muita emoção e melhorando cenas que eu já havia imaginado, quando li”, relata. Curiosa sobre o formato, Tiffany passou a pesquisar mais sobre a produção, ouvir podcasts e entrevistas entre autores e narradores e assim iniciou seu perfil @tiffanypreads, com a intenção de disseminar o gosto pelas histórias narradas.
Embora o mercado de audiolivros seja pequeno no Brasil – 21% dos 15 mil títulos digitais lançados em 2024 foram audiolivros, de acordo com a Câmara Brasileira do Livro, mas dentro do montante total do acervo, o formato representa apenas 9% deste catálogo –, é comum, especialmente entre os autores de romances, que um livro lançado na América do Norte venha acompanhado, posteriormente, da sua versão em áudio. E há um público igualmente apaixonado por este formato, investido não apenas nos escritores, como também nos narradores (ou voice actors), aguardando ansiosamente por seus novos trabalhos.
Mas toda essa proximidade que as redes sociais proporcionam também tem pontos negativos, diz Tiffany, que já teve que lidar com mensagens ofensivas na sua conta pessoal. “Tem muito preconceito de julgar livros de romance como pornografia e o que geralmente escuto de pessoas – predominantemente homens – são esses tipos de comentários. Porque podem ter algumas cenas explícitas entre um casal que está em um relacionamento, mas a história inteira é sobre amor, comunicação, consentimento, ajudando mulheres a descobrir o que elas gostam e o que não gostam e dando coragem para que elas conversem sobre isso nos seus relacionamentos reais. Então acho que livros de romance são uma ferramenta educativa, é muito mais profundo”, defende a booktoker, que relata já ter também recebido mensagens, inclusive de homens, agradecendo suas indicações, contando que os ajudaram a entender melhor suas parceiras e suas emoções.
As redes sociais possibilitaram que Tiffany ampliasse suas conexões no mundo literário, promovendo lives com autores e narradores para discutir seus trabalhos recentes, e a seriedade com que conduz seus conteúdos e procura aprender sobre a indústria rendeu um convite muito especial. Durante uma viagem de fim de semana com algumas amigas, dentre elas as autoras Britanée Nicole e Jenni Bara, Tiffany foi chamada para produzir o audiobook de Summer People (ainda sem previsão de lançamento no Brasil), lançado em 8 de julho pela plataforma Audible, da Amazon. “Passei meses conversando com as pessoas da indústria e aprendendo tudo que podia. Em termos de casting, elas (Britanée e Jenni) já sabiam quem queriam para os papeis, então foi mais a parte de lidar com a agenda dos atores e dos engenheiros de som, aprontar o script para os narradores, então envolve muito do gerenciamento do projeto. Foi uma experiência fantástica, tive um time maravilhoso. Estou super empolgada para todo mundo ouvir”, revela.
A moradora do Tennessee nunca imaginou que o que iniciou como um hobby tomaria proporções tão gigantescas na sua vida. “Meu objetivo é encontrar pessoas que nunca ouviram um audiobook ou nunca leram um romance, e algo que postei vai instigá-las a dar uma chance. Penso de forma macro, em como o que eu faço vai beneficiar toda a indústria literária, de alguma forma, pois estamos lutando contra a Inteligência Artificial em espaços criativos, com a IA roubando as vozes dos narradores e até mesmo dos autores, então penso dessa forma: o que é o melhor para a indústria e a arte em geral”, finaliza.
Os livros estão aí, seja através de uma narração no seu fone, a tela do aplicativo ou as páginas impressas. A leitura pode até parecer em declínio nas estatísticas. Mas nas entrelinhas, há um movimento sutil e poderoso de resistência afetiva. Os leitores ainda se encontram, nas redes, nos cafés, nas rodas de conversa, nas mãos que emprestam livros e nas vozes que narram histórias. Muitos. Diferentes. Intensos. Porque quem lê se expande, se transforma. E, como bem mostrou essa reportagem, às vezes tudo o que alguém precisa… é de uma página.
Carol Bonamigo
Jornalista, especialista em Cinema e Realização Audiovisual, Diretora de Jornalismo e sócia da revista Flash Vip