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18/12/2020 moda

Um futuro slow e autoral

Menos tendência e mais essência.

Tudo parou em março de 2020. Era gente perdendo o emprego, fast fashion decretando falência ou diminuindo o número de lojas. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviço e Turismo (CNC), cerca de 34,5 mil lojas relacionadas à indústria da moda fecharam as portas definitivamente durante a crise sanitária da Covid-19.

Provavelmente você se viu perguntando por que precisava de tanto produto de moda, se isso não te torna mais imune ao coronavírus? E foi assim que a consciência de moda despertou a ideia de que o que precisamos é “menos tendência e mais essência”. E com a dificuldade de importar, a solução foi olhar para o vizinho e comprar dele. Surgindo, assim, marcas mais autorais, produzindo um número reduzido de peças, que utilizam mão de obra local e fornecedores pequenos. Sem exploração, escravidão ou matéria-prima de baixa qualidade.

Marcas grandes e semanas de moda precisaram repensar seus calendários e, principalmente, seus posicionamentos. Formatos de desfiles presenciais migraram para desfiles online, estes em diversas versões, de fashion film a reproduções 3D. Os bons exemplos ficam para Prada, que apresentou seu desfile online e logo na sequência uma sessão de perguntas e respostas com fãs da marca no mundo inteiro, respondidas por Miuccia Prada e sua nova dupla Raf Simons e Hanifa, com uma apresentação 3D, na qual as roupas desfilaram sem modelos, mas trouxeram movimento, caimento e realidade virtual.

... outro fator beneficiado pelo caos foi o aumento da representatividade nas marcas de moda.”

A partir daí, enxergamos a democratização da moda, onde qualquer pessoa no mundo com acesso a internet poderia ver os desfiles e apresentações de grandes grifes, deixando de ser um universo restrito à primeira fileira elitizada da moda. No Brasil, recentemente tivemos o SPFW que comemorou seus 25 anos com um evento totalmente digital com transmissões nas redes sociais e projeções na cidade de São Paulo das apresentações das marcas, como também conteúdos históricos contando sobre a sua jornada desde o início, como uma forma de celebração à moda. Dos males o menor, a pandemia só acelerou uma conversa que estávamos tentando ter. O tanto de material utilizado numa fashion week, para ser apresentado apenas uma única vez, são questionamentos frequentemente debatidos. Outra coisa beneficiada pelo caos foi o aumento da representatividade nas marcas de moda, com modelos negros, pardos, orientais, gordos, magros, velhos e novos. Tudo aos moldes da geração Z. 

Não posso encerrar essa coluna sem agradecer a FV pelo convite e principalmente a você (leitor) que me acompanhou durante todo esse período. Espero que possamos nos ver mais por aqui em 2021. Se cuidem, um forte abraço virtual e good vibes only. 


AUTOR

Bruno Gerhardt

Colunista convidado da FV, é Designer, Criador de Conteúdo e Especialista em Moda.
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