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18/12/2020 guia cultural

TV e estética Live

A pandemia afetou e continua afetando o que entendemos como “normal”. Especificamente no consumo de mídia.

A pandemia afetou e continua afetando o que entendemos como “normal”. Especificamente no consumo de mídia, algumas mídias tradicionais e seus protocolos passaram a ser afetadas pelas novas mídias e seu jeito casual de ser, mudando a forma de se apresentar para o público. É o caso da TV.

A televisão é uma mídia poderosa e variada. De canais abertos com programação variada ao público geral aos canais segmentados da TV fechada, são perceptíveis as características próprias e as classificações dos conteúdos. Dos programas previamente gravados aos transmitidos ao vivo, dos inéditos aos repetitivos na programação, das novelas aos filmes, dos telejornais aos esportes, dos desenhos aos programas de auditório, enfim, uma profusão de formatos que são “programados” no tempo em que a televisão estará transmitindo em fluxo contínuo. 

Alguns destes conteúdos, em especial aqueles baseados na transmissão “ao vivo” – a coisa mais original que diferenciava a TV de outras mídias tradicionais –, foram afetados pela pandemia, pois estar nos estúdios se tornou um problema de biossegurança, além de uma mensagem confusa para o público orientado a não sair de casa. De uma forma aparentemente improvisada no início, muitos canais incorporaram com naturalidade a ideia de seus personagens transmitirem de casa os conteúdos planejados para as inserções “ao vivo”. No entanto, usando recursos particulares como computadores pessoais, notebooks, smartphones e até headsets (fones) particulares, os apresentadores passaram a abrir suas residências nas transmissões e a estética da televisão mudou para formas que possivelmente vieram para ficar. Com qualidades visuais e sonoras diferentes das câmeras de alta resolução e com a cenografia mais “real” e menos produzida, a estética da internet – “fazer live” no lugar de “fazer ao vivo” – pareceu se naturalizar nos canais e dentre o público, de forma que alguns canais mantiveram o isolamento em suas programações com conteúdo ao vivo sendo produzido “de casa” e outros, mesmo voltando em parte as gravações em estúdio, mantiveram formatos híbridos, com repórteres, entrevistados e até mesmo o público em geral participando da programação. Desta nova realidade, o erro, a falha, as imprevisibilidades passaram a ser mais toleradas e devidamente desculpadas, já que manter o sinal ou sincronizar dispositivos se torna um desafio. 

A televisão foi socorrida pelas tecnologias digitais de conexão e mobilidade que tornaram a internet o que ela é hoje e os efeitos ainda estão em processo. A decisão se a TV continuará com estas estéticas mais casuais, em “baixa definição”, com a falha tolerada e natural é uma questão tão difícil quanto responder quando a vida voltará ao normal pós-pandemia. O certo é que estão abertas a possibilidades de experimentação, inovação e barateamento da estrutura dos canais.


AUTOR

Hilario Junior

Colunista convidado da FV, é professor de Comunicação e Design (Unochapecó). Graduado em Computação, Especialista em Cinema, Mestre e Doutor em Comunicação.
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