Home > guia cultural > Desconexo: Utopias e distopias
19/06/2020 guia cultural

Desconexo: Utopias e distopias

Vivemos de histórias, de narrativas, de ficções nos mais diferentes formatos. Estas invenções surgem do imaginário de autores que inspiram na realidade.

Por outro lado, histórias podem inspirar o mundo a se transformar ou, ainda, permitir a reflexão sobre o mundo de uma forma fantástica. Daí surgem as utopias e distopias narrativas.

Utopia consiste na ideia da superação positiva de um status quo de uma determinada época, enquanto Distopia caracteriza-se pela extrapolação negativa. Ambas têm como base uma visão que redefine conceitos ou a ideia de mundo que a realidade nos traz.

Por exemplo, na série de TV Star Trek, viagens espaciais seriam uma realidade no futuro e a exploração (no sentido de navegação) do universo é natural por diversas raças alienígenas que compartilham da descoberta da viagem espacial rápida a longas distâncias. Na forma como Gene Roddenberg pensou a história, a Terra estaria unida a outras civilizações por um regime conhecido como Federação, com as melhores diretrizes, preocupadas com a vida e a melhor abordagem de planetas inexplorados, respeitando aqueles que não descobriram sozinhos a tecnologia de viagem espacial. Ou seja, nosso mundo estaria unido em torno das mesmas e melhores causas, usando a tecnologia para transformação positiva do futuro, continuamente progredindo e, eventualmente, enfrentando aqueles que, pelo contrário, procuram o caos, a dominação ou a destruição alheia.



Na recente série Westworld, baseada na história criada por Michael Crichton, há um grande avanço da tecnologia que possibilita a criação de androides que são cópias perfeitas dos humanos. A aplicação desta tecnologia se dá em um grande parque temático que simula o Velho Oeste norte-americano, no qual os visitantes (humanos) desfrutam de uma época reconstruída com robôs (que não sabem da sua condição). Isso leva a várias extrapolações do pior que os humanos têm, de forma a expressar seu lado mais violento e doentio, abusando dos robôs que, aos poucos, vão desenvolvendo autoconsciência e começam a se rebelar com essa realidade.


No primeiro exemplo, a tecnologia é narrada como positiva e agregadora, tanto que Star Trek (que foi ao ar em 1966) narrou coisas ficcionais que hoje são naturais do nosso dia a dia, como celulares, videoconferência, ultrassom na medicina, portas automáticas, etc. e mesmo questões sociais, como respeito às diversidades com tolerância e empatia com diferentes raças, por mais estranhas que elas sejam. No segundo exemplo, a tecnologia é narrada como algo que poderia ser positivo para a humanidade, mas que é contaminada pelos demônios da mesma e transformada em objetos de abuso e distorção de valores, tanto que somos levados a torcer para os robôs conseguirem se libertar da tirania.

Ambas as histórias são ricas ficções e poderiam ser reservadas apenas a isso. No entanto, por mais fantásticas que sejam, nos permitem espelhar o mundo atual e refletir do real uso que estamos fazendo – no caso do tópico comum das duas – da tecnologia. Vejamos com mais cuidado histórias utópicas e distópicas em qualquer mídia e vejamos que mensagem indireta seus autores querem nos passar.

AUTOR

Hilario Junior

Colunista convidado da FV, é professor de Comunicação e Design (Unochapecó). Graduado em Computação, Especialista em Cinema, Mestre e Doutor em Comunicação.
LEIA TAMBÉM