A experiência de entretenimento televisivo está mudando radicalmente
Ao usar uma funcionalidade de escolher meus canais favoritos na TV por assinatura, para não precisar ficar rolando por canais que não me atraem, me dei conta de que a experiência de entretenimento televisivo está mudando radicalmente... para melhor.
Em tempos de pandemia muitos hábitos de consumo se transformaram e algumas tendências se tornaram realidade, como a videoconferência mediando a comunicação no trabalho e nos estudos, o teletrabalho e o streaming reconfigurando nossa ideia de televisão. É fato que isso já vinha acontecendo com o sucesso da Netflix e de plataformas como YouTube, em que era possível notar que nossa forma de consumir audiovisual em “fluxo contínuo” estava mudando. A televisão como conhecemos está mudando e os responsáveis somos nós, espectadores.
Muitos canais de TV por assinatura já possuem sua versão streaming que transmite a mesma programação ou um aplicativo que dá ao usuário a condição de assistir o que quiser, quando quiser, com quem quiser, e mais, em que dispositivo quiser. Ou seja, não só o conteúdo, mas a forma da televisão está mudando radicalmente, de forma que aquele totem no meio da sala de estar pode não ser mais a preferência para assistir o conteúdo televisivo que, entre outras coisas, costumava ser uma experiência coletiva e familiar. Se observarmos os movimentos da indústria do entretenimento, na cola da Netflix surgiram diversas opções de “canais” que, na lógica do streaming, são mais conhecidos como “serviços”: Prime Video, Globoplay, Telecine, HBO Go, entre tantos, e mais alguns que prometem balançar o panorama, como o Disney+, que chega em novembro no Brasil.
Cá entre nós, prestigiar a televisão como fluxo contínuo num canal específico que, quer você assista ou não, estará lá sendo transmitido, tende a perder cada vez mais espaço. A vontade do espectador é de quando estiver a fim, ligar o dispositivo de sua escolha e voltar a assistir o que vinha assistindo no ponto onde parou. Excetuando os programas ao vivo, a televisão vem levando um “baile”, inclusive em qualidade de imagem, pois os serviços de streaming fornecem conteúdo 4K, que não está disponível nos canais tradicionais, ainda HD. Para quem tem o canal por assinatura e o aplicativo, em outras palavras, é mais interessante assistir pelo segundo se o objetivo é a melhor experiência de som e imagem. Aí a pergunta: para que a televisão tradicional serve mesmo?
A televisão está mudando radicalmente, mas não se tornando extinta ou obsoleta. Se tomarmos a experiência e não a mídia, a televisão nunca esteve tão no auge, com tanto conteúdo diversificado e de qualidade. A diferença está no poder de escolha, cada vez mais nas mãos do espectador.
Hilario Junior
Colunista convidado da FV, é professor de Comunicação e Design (Unochapecó). Graduado em Computação, Especialista em Cinema, Mestre e Doutor em Comunicação.