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26/08/2021 moda

Tóquio 2020

Moda e sexismo no esporte

E dentre todos os assuntos que poderíamos discutir sobre moda, estão os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (mas que aconteceram em 2021, devido à pandemia da Covid-19) . Nos Jogos Olímpicos a moda esteve presente em diversos momentos, desde a abertura, as competições e até as discussões de igualdade de gênero e diversidade.

Parece-me que as Olimpíadas de Tóquio 2020 serão um grande marco na história, não apenas por acontecer durante uma pandemia, mas também por ser a mais diversa de todos os tempos. Segundo levantamento do site OutSports, foram mais de 160 atletas assumidamente da comunidade LGBTQIA+ e, pela primeira vez, uma atleta trans competiu (Laurel Hubbard, do levantamento de peso).

Na moda essa liberdade sexual vem sendo refletida com intensidade no Brasil e no mundo, com shapes que brincam com o masculino e o feminino através das marcas Meninos Rei, Anacê, João Pimenta, Alexander McQueen, Saint Laurent e Balenciaga.

Outra questão que não passou em branco por Tóquio foram discussões de igualdade de gênero com a sexualização dos uniformes femininos, inclusive punindo as atletas por não usá-los. Como foi o caso da equipe norueguesa de handebol de praia feminina, durante o campeonato europeu, que questionou a exigência de usar biquíni como uniforme oficial, sendo que homens podem usar um uniforme que cobre boa parte do corpo. A justificativa das atletas referente ao biquíni é que ele restringe os movimentos, se tornando desconfortável.

Com a recusa de uma outra alternativa de uniforme feminino para o campeonato europeu pela Federação Internacional de Handebol, percebemos o quão ainda vivemos sob uma herança sexista, tendo a mulher e seu corpo como objeto de entretenimento masculino, hiperssexualizado. O salto stiletto e o espartilho estão aí para não me deixar mentir. 

Nas Olimpíadas do Rio, em 2016, a jogadora de vôlei Doaa Elghobashy competiu usando um hijab (indumentária característica da sua cultura). A estrela do tênis Serena Williams voltou às quadras em 2018, usando um macacão, logo após sua licença-maternidade. A ginasta alemã Pauline Schaefer-Betz competiu em Tóquio, em 2021, usando macacão que cobria o corpo inteiro, ao invés do tradicional collant. Todas estas mulheres usaram a moda para mostrar ao mundo que são donas de si e precisam ser respeitadas pelas suas capacidades e não pela "beleza" de seus corpos. 

E então entendemos como a moda pode refletir uma sociedade e como ela é igualmente usada para mudá-la. Já parou para pensar sobre isso? Quando você se veste para surpreender, quando você se veste para dizer que não se importa com moda ou até mesmo quando não se veste, está comunicando moda. 

Ainda assim, Tóquio sediou uma das Olimpíadas mais lindas que eu já tive o prazer de assistir, com uma “Fadinha” que anda de skate; um jogador de vôlei Zap Zum; uma ginasta negra, da periferia, com mãe solo que é ouro e um saltador ornamental assumidamente gay, tricotando nas arquibancadas e auxiliando na pesquisa da cura do câncer cerebral. 

O que mudará no mundo e no pensamento das pessoas depois dessas Olimpíadas nos resta esperar, mas a mudança está aí e quem não segue, fica para trás. Um beijo impresso e até a próxima coluna. #vacinasalva #usemáscara


AUTOR

Bruno Gerhardt

Colunista convidado da FV, é Designer, Criador de Conteúdo e Especialista em Moda.
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