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06/04/2022 moda

A moda ganha oxigênio

A retomada dos desfiles e as principais tendências

A última vez que a moda sorriu foi em meados de 2018 ou 2019, não lembro. Faz um bom tempo, mas estamos vendo uma luz, que não parece ser o fim, mas o início de um longo caminho que vamos percorrer a base de plumas, paetês e coturnos. 

Em 2022, a moda começa a ganhar fôlego em janeiro, com a retomada dos eventos e semanas de moda. Do dia 11 ao dia 13 tivemos a edição 101 da Pitti Uomo, de 18 a 23, a semana de moda masculina, logo em seguida a semana da alta-costura e, recentemente, as ‘fashion weeks’ que passaram por Nova York, Londres, Milão e fechando em Paris. Mas quando pensamos que estava tudo dominado, surgem novas ondas de infectados e, desta vez, com variantes. Armani cancelou sua participação na primeira semana de moda depois de dois longos anos de pandemia, mesmo considerando os fashion shows bastante relevantes para a grife. 

Atualmente a moda levanta duas principais tendências de comportamento, uma pautada pelo conforto e outra pautada pela exuberância. A vontade de brilhar com plumas e paetês, deixar o corpo à mostra e ousar no vestir é um reflexo bem nítido disso. O conforto é pautado pelo autoconhecimento que obtivemos com a pandemia, e atualmente gostamos de quem somos e nos sentimos confortáveis de mostrar ao mundo.

Dos desfiles das semanas de moda, não podemos deixar de falar da última coleção de Virgil Abloh (falecido em novembro de 2021) para a Off-White e do desfile da Balenciaga, que fez uma homenagem à Ucrânia, uma vez que o diretor criativo da marca, Demna Gvasalia, sentiu em 1993, quando seu país estava em situação de guerra, o que fez ele se tornar um refugiado. Além disso, várias ações ocorreram durante as semanas de moda em prol do povo ucraniano. Silvia Ventirini Fendi publicou em sua rede social a bandeira da Ucrânia com a frase: “O meu coração está com todas as pessoas que vivem este pesadelo. Sem guerra, por favor”. 

E os homens na moda? Ah, os homens! Parece que estamos vivendo o que João Braga e Luís André Prado chamam de 'Revolução do Pavão', na década de 70, onde os homens se permitiam mais a vaidade, uma vez que a liberação do culto à moda masculina era considerada, até então, ‘suspeita’ pelo machismo. Tinham uma espécie de licença para usar moda. A diferença dos homens da década de 70 para os de hoje é que, de fato, eles querem ser livres para usar um guarda-roupas sem rótulos, característica bastante presente da geração Z. O alvo principal das maisons. 

E apesar de serem uma minoria, os corpos gordos e volumosos começam a aparecer nas passarelas, mostrando que existe um mundo real além das semanas de moda. Pessoas mais velhas e negros também entram nesse cenário. A representatividade é uma exigência do mundo atual, os padrões estão, aos poucos, sendo “descosturados” e precisamos nos acostumar com isso.

A moda pós-pandemia está aí, e podemos brindar a sua retomada de maneira mais consciente e real, vestindo muitas plumas, paetês, com um tênis bem confortável ou um coturno bem pesado para terrenos ainda desconhecidos.


Foto: Balenciaga/Divulgação

AUTOR

Bruno Gerhardt

Colunista convidado da FV, é Designer, Criador de Conteúdo e Especialista em Moda.
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