Falar sobre saúde mental é urgência, não tendência
Janeiro Branco é um convite para olhar com mais atenção para a saúde mental, sem romantizar, sem simplificar.
Ansiedade, cansaço extremo e esgotamento emocional fazem parte da realidade de milhões de pessoas. E ignorar isso não torna a vida mais leve. Pelo contrário.
Vivemos tempos de cansaço coletivo, excesso de estímulos e poucas pausas reais. Uma rotina acelerada, hiperconectada e constantemente atravessada por cobranças, comparações e urgências. Nesse cenário, falar sobre saúde mental deixou de ser um assunto pontual para se tornar uma necessidade permanente.
Estamos cansados, sobrecarregados e ansiosos, e isso não é só impressão
A sensação de esgotamento que parece generalizada não surge do nada. Os números confirmam aquilo que o corpo e a mente já sinalizam há tempos: estamos cansados.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está entre os países com maior índice de ansiedade do mundo. Falar sobre saúde mental, portanto, não é s uma “trend” das redes sociais. É responder a uma realidade concreta que afeta milhões de pessoas diariamente.
Esse interesse crescente pelo tema também aparece nas buscas por informação. Especialmente após a pandemia, o volume de pesquisas relacionadas à saúde mental aumentou de forma significativa. Só no Brasil, foram registradas cerca de 13 milhões de buscas no Google relacionadas à ansiedade e à depressão. As pesquisas pelo termo “TDAH” cresceram 576% em cinco anos. As pessoas querem entender o que sentem. E querem ser informadas.
Em um cenário de excesso de conteúdo superficial e desinformação, o acesso a informações responsáveis e contextualizadas se torna uma forma de cuidado. Informar não é apenas noticiar dados, mas oferecer repertório, reflexão e caminhos possíveis para compreender o próprio tempo.
A influência das redes sociais nesse contexto também precisa ser considerada. Um levantamento do Ipsos Health Service Report 2025 revelou que 52% dos brasileiros consideram a saúde mental o principal problema de saúde do país. Além disso, oito em cada 10 brasileiros concordam que as redes sociais podem contribuir para o agravamento dos problemas de saúde mental — seja pelo excesso de exposição, pela comparação constante ou pela dificuldade de desconexão.
Na Flash Vip, falar sobre saúde mental nunca foi pauta sazonal. Sempre foi compromisso editorial. Ao longo dos anos, a revista abordou o tema sob diferentes perspectivas, trazendo informação, relatos e reflexão.
Entre os destaques estão matérias como O Oposto do Reflexo (FV#106), que faz um alerta sobre relacionamentos abusivos com pessoas narcisistas; Vida entre telas (FV#100), que aborda a nomofobia — o medo ou ansiedade irracional de ficar sem o celular ou desconectado de dispositivos eletrônicos; e De tirar o sono (FV#78), que traz dados e relatos sobre como é viver com transtorno de ansiedade. Esta última foi vencedora do Prêmio de Jornalismo Unimed Chapecó, na categoria Impressa, em 2019.
Essas pautas refletem a crença de que jornalismo também pode ser espaço de acolhimento, sem abrir mão da responsabilidade e da profundidade.
“Estamos todos cansados.” Esse foi o tema do primeiro episódio do falaFV!, o podcast da Flash Vip, que trouxe a psiquiatra Dra. Rafaela Pavan para refletir sobre a chamada sociedade do cansaço e o esgotamento mental que, aos poucos, deixou de ser exceção para se tornar regra. Não por acaso, esse segue sendo, até hoje, o episódio mais reproduzido no Spotify.
Talvez porque muitas pessoas se reconheçam nessa fala. Talvez porque nomear o cansaço seja o primeiro passo para não normalizá-lo.
Cuidar da mente não é privilégio, nem fraqueza. É sobrevivência. É base para relações mais saudáveis, para o trabalho, para o afeto e para a própria existência. E, sobretudo, é um processo contínuo.
A saúde mental não começa em janeiro e não termina nele. Campanhas ajudam a abrir conversas, mas elas precisam seguir ao longo do ano, com espaço, escuta e responsabilidade.
A Flash Vip acredita que informação de qualidade também é forma de cuidado — seja por meio do jornalismo, das conversas no podcast ou dos espaços de reflexão que ajudamos a construir.
Porque esse assunto nunca foi moda por aqui. Sempre foi compromisso.
Carol Bonamigo
Jornalista, especialista em Cinema e Realização Audiovisual, Diretora de Jornalismo e sócia da revista Flash Vip