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26/08/2021 responsabilidade social

Uma dose de afeto

Grupo de apoio busca recursos para ajudar pessoas atingidas pela Covid-19

A pandemia da Covid-19, que vivenciamos há mais de um ano, escancarou – para quem ainda não enxergava – tamanha diferença social e econômica existentes na sociedade. Diversos foram, são e ainda serão, os impactos que a doença deixará pelo mundo inteiro. 

Entendendo tratar-se de uma crise humanitária multifacetada, que exige medidas imediatas e multissetoriais e requer assistência de maneira imparcial à população para minimizar suas consequências adversas, o Gapa de Chapecó – Grupo de Apoio à Prevenção à Aids iniciou em março de 2021 o Afeto – Grupo de Apoio às Pessoas Atingidas pela Covid-19. 

O Afeto é uma ferramenta de acolhimento e cuidado, fortalecimento, empoderamento, trocas e orientações. Nas quintas-feiras, às 19h, via Google Meet, o Grupo sinaliza pessoas e famílias que necessitam ajuda e compartilha ideias, habilidades e recursos para auxiliá-las.  


Joaquim*, de 34 anos, contraiu o vírus da covid-19 em janeiro de 2021 e ficou internado por 95 dias, lutando para sobreviver. depois do ocorrido, ficou acamado e passou por dificuldades financeiras. sua esposa largou o trabalho na cidade onde residia e voltou a chapecó para cuidá-lo. até a publicação desta reportagem, ele estava recuperado e caminhando. a família recebeu doação de roupas, cesta básica, pães e chimia. joaquim conta que, até então, não tinham rede de apoio.


“Estávamos nos sentindo sozinhos. Toda ajuda é bem-vinda e o pessoal do Afeto se prontificou a ajudar, e isso é ótimo!”


Ao conectar indivíduos, organizações e empresas socialmente engajadas e solidárias às pessoas em situação de vulnerabilidade, o Afeto busca sanar as necessidades que surgem nas áreas da saúde (mental, emocional e psicológica, reabilitação de possíveis consequências da doença); assistência social (segurança alimentar, geração de trabalho e renda); previdência (assessoria e orientação jurídica) e educação (apoio e reforço).

Como explica o presidente do Gapa, Dirceu Hermes, não se pretende realizar um assistencialismo, mas dar suporte às pessoas e, gradativamente, integrá-las ao serviço público. “Estamos numa fase embrionária dessa rede de solidariedade, temos um limite de recursos e voluntários, mas ao abraçarmos uma família, buscamos auxiliá-la de forma integral e acompanhá-la até sua saída do Afeto”, reforça.


A mãe de Eliane Dos Santos Da Silva, de 21 Anos, é mais uma vítima da Covid-19. Faleceu aos 43 anos, Em fevereiro de 2021 e deixou, além de Eliane, mais duas filhas, uma de 15 Anos e outra de quatro meses. Há nove anos, elas perderam o pai e, atualmente, a mais velha cuida de suas irmãs e de sua filha, de quatro anos. A família foi acolhida pelo afeto e recebeu roupas e alimentos. 


“Desde que perdi a mãe, minha vida virou de cabeça para baixo. A gente passa necessidade e eu agradeço muito por ajudarem a nós e aos outros”.

Identificadas as demandas, um participante do Grupo apadrinha a pessoa ou família, faz uma visita, realiza o cadastramento e reconhece as necessidades. Ricardo Malacarne, um dos coordenadores, explica que, a partir disso, articula-se parcerias e a busca por doações de alimentos, produtos de higiene e limpeza, móveis, utensílios domésticos ou o que houver necessidade; mas também a aproximação das pessoas às políticas públicas que elas têm direito e muitas vezes nem sabem. “A iniciativa é construída por pessoas com olhar solidário e inquietas à situação que vivenciamos. A gente só sente afeto por aquilo que conhecemos”, expressa.


Pão com chima


O doce típico da nossa região, feito com frutas da estação, tem gostinho de afeto! E para complementar a cesta básica entregue às famílias, o Grupo Afeto acrescenta o projeto Pão com Chimia, que reúne integrantes para a produção de pães, bolachas e o doce. Silvana Dal Bosco é uma das pessoas à frente da ação e se sente bem em poder ajudar o próximo. “Quando conversamos com as famílias e nos inteiramos dos problemas que estão enfrentando no momento e que, outrora, tinham emprego, renda e, muitas vezes, até ajudavam quem precisava, sinto um misto de emoções. O agradecimento que vêm através dos gestos, palavras e olhares, tanto dos adultos, quanto das crianças, é indescritível”


*Nome fictício usado para proteger a identidade da fonte.

AUTORA

Mirella Schuch

Futura jornalista. Curiosa e amante da escrita.
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