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02/07/2020 comportamento

Inverno e produtividade mental

Entenda como o frio pode interferir no seu trabalho e saiba como manter o equilíbrio intelectual.

Depois de ouvir quatro vezes o despertador tocar, se enrolar alguns minutos nos cobertores quentinhos e sentir a leveza dos pelos da gata Shiva no rosto, finalmente é a hora de levantar. O desejo é continuar no calor da cama enquanto o dia lá fora está impelido pelos raios solares, mas as responsabilidades da vida adulta estão à espera. É assim que iniciam as manhãs frias da estação que gera calafrios para alguns e charme para outros, da futura designer Ana Paula Rigoni de Souza, mais conhecida como Nana.

Nana tem 21 anos e gosta do inverno. Na sua visão, essa é a estação mais fácil de “lidar”, pois com a quantidade de roupas certas consegue ficar livre do frio, comenta. Em casa, seu look favorito se torna uma confortável blusa de lã com gola e casaco de moletom, duas calças bem quentinhas, meias e um par de tênis.

Nossos hábitos de se vestir mudam bastante com a chegada do inverno. A alimentação também, já que inserimos com mais frequência um chocolate quente, uma sopa e, claro, uma rodada de pinhão ao lado de um bom chimarrão.

O inverno tem suas peculiaridades e é desejado por alguns, ao mesmo tempo que para outros tem o efeito contrário. Mas além do frio, que já é esperado, o que muitos não imaginam é que o inverno também é responsável por afetar a nossa produtividade mental.



Produtividade mental no inverno

Em 2004, foi realizado um estudo de ergonomia na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, no qual o professor de Design e Análise Ambiental e diretor do Laboratório de Fatores Humanos e Ergonomia da Cornell, Alan Hedge, identificou que as baixas temperaturas interferem na produtividade dos colaboradores e podem aumentar o custo de mão de obra em até 10%.

Em todas as estações a nossa mente pode ser comparada com um computador. Ele tem duas peças extremamente importantes para funcionar: a memória e o processador. A memória é o espaço em que as informações são armazenadas e projetadas, enquanto o processador é a velocidade com que são transmitidas. Quanto mais carregado de arquivos estiver a memória, mais difícil será de processar todas as informações. Da mesma forma funciona o nosso cérebro, quanto mais cheio de sentimentos e afazeres ele estiver, menos capacidade terá de produzir com efetividade.

Portanto, o termo produtividade mental refere-se “a capacidade em ter a mente tranquila, limpa de estresse e preocupações”, conforme explica a psicóloga Kiona Ames. "No inverno, temos a tendência de diminuir naturalmente a nossa produtividade. Isso se explica devido aos dias frios, nublados e chuvosos, que causam a sensação de ficar 'encolhidos'", exemplifica a profissional.

A psicologia afirma que o nosso cérebro é capaz de dar respostas maiores ou menores a partir dos estímulos que ele recebe, entre eles, a incidência de luz solar direta. Diversos estudos apontam que a luz solar traz benefícios para nossa saúde, em especial na produção de hormônios neurotransmissores, como a serotonina e as endorfinas, conhecidos como hormônios da felicidade, responsáveis pelo equilíbrio emocional e calmantes naturais. "No inverno essa produção diminui, já que o sol não aparece com tanta intensidade. Dessa forma, automaticamente o nosso desempenho decai", conta Kiona.

A falta de produtividade mental, segundo a psicóloga, é confundida com a preguiça, já que aponta entre seus sinais a sonolência, a falta de mobilidade, a postura corporal errada e o vocabulário confuso. Atentar-se a esses sinais é o primeiro passo para combater a improdutividade mental.


Sugestões para melhorar a produtividade mental

É fundamental, principalmente no inverno, dedicar e tirar um tempo para ficar ao ar livre, manter exercícios físicos e atividades lúdicas, mesmo dentro de casa. A psicóloga Kiona observa que é importante continuar com a produção de serotoninas e endorfinas através de outros meios que não sejam da luz solar direta.

Para estabelecimentos que atuam com atividades intelectuais e que exigem mais atenção, é orientado pela legislação brasileira, na Norma Regulamentadora da ergonomia (NR-17), que o ambiente esteja entre 20ºC a 23ºC.

Ademais, mantenha uma vida divertida, insira atividades de recreação, experimente dançar sua música preferida e praticar um novo exercício em sua casa. Tudo isso buscará compensar a falta de mobilidade que temos naturalmente no inverno e, consequentemente, melhorar cada vez mais nossa produtividade mental.


*Matéria de Gabriela Busatta, estagiária de jornalismo da FV.

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