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21/05/2020 registro

Enem 2020 é adiado

Após pressão de entidades estudantis e pedido do Congresso Nacional, as provas ficarão para 30 a 60 dias após as datas previstas nos editais.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi adiado neste ano, devido a complicações de ensino, por conta da pandemia do novo coronavírus. A decisão foi divulgada na última quarta-feira (20), por meio de nota oficial do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e Ministério da Educação (MEC). Com o adiamento, as provas estão previstas para ocorrer entre dezembro deste ano e janeiro de 2021.

Ainda conforme a nota, as aplicações das provas nas suas versões impressa e digital, serão adiadas de 30 a 60 dias em relação ao previsto nos editais. Com essa nova realidade, o Inep promoverá uma enquete junto aos inscritos do Enem 2020, no mês de junho, por meio da Página do Participante, para saber qual data será a melhor para a realização dos exames. As inscrições para o Enem 2020 continuam abertas até às 23h59 da próxima quarta-feira, 27 de maio.


Mudança de discurso

O Ministro da Educação, Abraham Weintraub, vinha há tempos apoiando a permanência das datas, até então, oficias para a realização do Enem, em novembro. Até uma propaganda do exame foi veiculada na televisão, na qual estudantes falam em: “a vida não pode parar, é preciso ir a luta, se reinventar, superar. Dias melhores virão”. O vídeo continua com dizeres como, “estude, de qualquer lugar, de diferentes formas, pelos livros, internet”, porém essa não é a realidade da maioria dos alunos de escola pública.

Trecho da campanha do Enem 2020

Trecho da campanha do Enem 2020

Segundo levantamento do TIC Domicílios, em 2018, 48% da população de baixa renda utilizou a rede de internet, o que nunca tinha sido registrado pelas pesquisas anteriores. Já nas classes de alta renda, A e B, os percentuais apresentados foram de 92% e 91%, respectivamente, e de 76% na classe de renda média, a C.

No mesmo ano, como mostra o estudo, 98% dos domicílios de classe A e 88% de classe B tinham acesso à internet juntamente com computadores. Porém, essa realidade entre as classes mais baixas muda. Nos domicílios de classe C, 43% tinham computador e internet e 33% só internet. Já os domicílios de classe baixa (D e E), a maioria não possuía acesso ao computador e nem à internet (58%) e mais de um terço (34%) tinha apenas acesso à internet.

Esses dados apresentam uma enorme desigualdade econômica e de acesso a utensílios essenciais para estudar de forma remota. Com a pandemia, as escolas foram orientadas pelos órgãos oficiais da saúde a fecharem temporariamente, para evitar aglomerações, como forma de enfrentamento à Covid-19. Com essa realidade, alunos e professores avistaram uma nova forma de continuar as suas aulas, necessárias para absorção dos conteúdo e poder ter um bom desempenho no Enem.

Impossibilitados de se encontrarem pessoalmente, os estudos de forma remota foram cogitados, mas como mostram os dados citados, a maioria dos alunos de classe média baixa, que estuda em colégio públicos, não tem acesso às tecnologias necessárias para isso.

Mesmo assim, o Ministro da Educação persistiu em manter o calendário do Enem, mas após críticas e pedidos para o adiamento do exame por instituições de ensino e entidades estudantis, famosos e da sociedade, Abraham Weintraub mudou o seu discurso. Em sua conta no twitter o ministro escreveu: “Diante dos recentes acontecimentos no Congresso e conversando com líderes do centro, sugiro que o Enem seja adiado de 30 a 60 dias. Peço que escutem os mais de 4 milhões de estudantes já inscritos para a escolha da nova data de aplicação do exame”.

AUTORA

Ana Laura Baldo

Estagiária de Jornalismo, especialista em drama, além de futura jornalista, sonha em ser atriz.
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