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03/04/2020 guia cultural

Games: Jogar é preciso. Viver não é preciso.

De jogos de celular como Candy Crush e Angry Birds a histórias mais profundas como Gris e Hellblade Senua’s Sacrifice.

Por que não fazemos o mesmo com jogos? Se pararmos para pensar, talvez os jogos digitais sejam o ápice da produção audiovisual. Explico meu ponto de vista: eles apresentam fotografia, trilha sonora, direção de arte, muitas vezes enredo, roteiro… além, claro, de um profundo estudo sobre o que a jogabilidade quer nos transmitir.

Jogos de celular também? Mas é claro! Desde jogos mais casuais que atingem do marmanjo à vovozinha, como Candy Crush e Angry Birds, apresentam mecânicas de jogo (e até enredo!) que foram pensados peça a peça pelos autores.

Você gosta de jogos de esportes? Os jogos de corrida hoje em dia, são tão fidedignos que merecem a alcunha de ‘simuladores’. Os de futebol procuram mimetizar desde as feições dos jogadores até a física do movimento da bola em um tempo de chuva — ambos com precisão assustadora.

Mas oras… eu gosto de histórias mais profundas, como meus livros e filmes. Sensíveis e que acrescentem à minh’alma.

Em Gris você passa pela trajetória de uma personagem que perdeu a sua voz e as cores de seu mundo, transitando pelas diversas etapas da superação de traumas e perdas, tudo isso acompanhado de uma arte completamente expressiva e uma trilha sonora emocionante, tudo para compor a alegoria.



Você gosta de ação, mas não aguenta mais as narrativas de cavaleiros medievais que querem salvar a princesa ou tiroteios de guerra sem fim? Em Hellblade Senua’s Sacrifice você vive uma guerreira celta que sofre de esquizofrenia e paranoia, vivenciando o pavor da incerteza em compreender se o que você ouve e vê é real ou imaginário.



Existem histórias para serem lidas e ouvidas, mas existem aquelas que devem ser vividas. Assim como algumas experiências só pertencem aos livros, algumas outras só podem ser usufruídas em sua completude nos jogos. Seja aquele tão casual quanto comer um BigMac ou tão especial como um prato de um chef estrelado.

Talvez chegue o dia em que experimentar bons jogos lhe seja tão venerável quanto ler bons livros, ver bons filmes, tomar bons vinhos. Se este dia chegar, talvez seu coração bata em um ritmo que nunca bateu e sua alma se aqueça de um jeito como nunca antes.

AUTOR

Angelo Parisotto

Colunista convidado da FV, é professor universitário. Joga mais do que é saudável, mas menos do que gostaria.
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