Em algum momento da sua vida, você já se sentiu julgado pela sua idade, como se ela devesse determinar certo comportamento ou escolha? "Este corte de cabelo te rejuvenesceu", "essa roupa faz você parecer mais nova" ou "você parece bem para a sua idade" são algumas das tantas frases comumente ouvidas – e até proferidas – para se referir como a sociedade nos enquadra em uma caixa estabelecida do que espera-se da nossa performance conforme avançamos os anos. E o pior, todas essas frases são consideradas elogios. Entra, então, a questão a ser abordada, que todos nós perpetuamos a ideia que envelhecer não é uma coisa boa, mas sim algo a ser evitado, pelo menos na aparência, uma vez que para envelhecer basta apenas estar vivo.
É esta a reflexão que trazemos na nossa reportagem Especial de capa desta edição da FV, o etarismo. Também conhecido como idadismo e ageísmo, é o preconceito que se tem contra as pessoas com base nas suas idades. Podemos detectar esse tipo de discriminação facilmente nos mais diversos meios sociais, com comentários, suposições ou ações que limitam o acesso a oportunidades pelo quão avançada é a faixa etária. O quanto as pessoas acabam limitando as suas experiências e vivências por medo ou receio de não se encaixar no padrão esperado.
Conforme a pesquisa que integra o Relatório Mundial do Idadismo, feita pela Organização Mundial da Saúde em 2022, ser idoso é ser considerado caloroso e aprazível na mesma proporção que é visto como rígido, solitário e sexualmente inativo. É comum também ouvir expressões como "jovem de espírito" para se referir a pessoas cujo RG informa a experiência dos anos, mas não querem se considerar "velhas". O que também nos leva a pensar como esse preconceito pode ser autodirigido e como devemos ressignificar o processo de envelhecimento.
Com essas questões citadas, convidamos a ler as próximas páginas da FV com o coração e mente abertos, talvez você reconheça a sua mãe, seu avô, sua tia, seu vizinho ou a si mesmo. Mas permita que a sabedoria já adquirida nos seus anos vividos não te impeça de aprender ainda mais, de ousar mais algumas vezes, de tentar de novo, de recomeçar. Divirta-se e aventure-se. Para isso – e para nada mais – certamente não existe idade certa.
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Revista Flash Vip, contando histórias desde 2003.