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05/04/2022 diário de bordo

De volta ao mundo

Turistas se adaptam às exigências para entrada em outros países em meio à pandemia de Covid-19

Com a Covid-19 sob controle em grande parte do mundo, um dos setores mais impactados economicamente pela pandemia volta a se movimentar. A demanda por viagens em agências de turismo tem crescido com o avanço da vacinação, a flexibilização das restrições e a abertura de fronteiras. Um alívio também para os exploradores, que finalmente poderão voltar a conhecer outros países, ainda que enfrentando os protocolos de saúde aplicados para evitar a propagação do novo coronavírus. Os turistas precisam tomar novas precauções e ficar atentos às diferentes medidas exigidas para visitar pontos turísticos, tanto no Brasil quanto na maior parte dos destinos internacionais.

Clarice Bressiani, diretora de uma agência de turismo, conta que as pessoas estão se sentindo cada vez mais seguras para viajar, ainda que a maior parte opte por destinos nacionais. “A grande maioria das cidades do Nordeste exige comprovante de vacinação para ingressar em hotéis, bares, restaurantes e parques. O único destino nacional que exige teste PCR ou Antígeno é Fernando de Noronha. Mas o protocolo básico deve ser respeitado em viagens aéreas: uso de máscara durante todo o voo e nos aeroportos, distanciamento e uso de álcool gel”, explica.

A agente de viagens afirma que com a alta da demanda, o preço de uma viagem para o Nordeste do Brasil acaba se tornando quase o mesmo de uma viagem internacional, e incentiva passageiros a viajarem para países onde sabe que estão mais seguros. Porém, para entrar com o pé direito em terras estrangeiras, uma coisa é certa: além da burocracia rotineira – que envolve passaporte, emissão de visto, exames médicos e demais vacinas – ainda é preciso estar atento aos protocolos sanitários dos destinos, que têm variado com muita frequência.

Um exemplo disso é a França, que recentemente deixou de exigir testes caso o passageiro tenha tomado a segunda dose da vacina entre sete e 270 dias antes da chegada, ou tenha tomado a dose de reforço. Entretanto, a entrada no país ainda requer um atestado de honra, aceitando fazer um teste na chegada, mas que não é solicitado em todos os casos. Este é o relato de Naline Tres, que visitou a Europa em janeiro deste ano. A contadora de 29 anos se organizou por conta própria com meses de antecedência. Ela explica que o acompanhamento dos protocolos de saúde era quase diários e que, apesar da rigidez, eram aplicados com compreensão pelas autoridades francesas. “Eles solicitavam os documentos, mas sempre com bastante cordialidade, educação, até porque eles sabem que é algo muito novo ainda para nós”.

De Paris, Naline visitou também a Espanha, país vizinho que demandou novos procedimentos. "Cada país, além de ter uma regra universal da União Europeia, também tem uma regra própria, que geralmente são os formulários que você precisa apresentar antes do embarque”, explica a contadora, acrescentando que para além da entrada, o certificado de vacinação foi exigidos em museus, igrejas e restaurantes em ambos os países. “Eu achei isso importante também porque nos dá mais segurança. Inclusive, eles aceitaram o próprio documento em PDF do Conecte SUS”, relata Naline.


Naline viajou para Paris em janeiro deste ano e precisou acompanhar quase diariamente as mudanças nos protocolos sanitários antes da partida. Foto: Arquivo pessoal


Na América do Norte, os protocolos não são muito diferentes. Os Estados Unidos, por exemplo, exigem de maiores de 18 anos um certificado de vacinação contra a Covid-19 completa pelo menos 15 dias antes da data de chegada e um teste negativo realizado até um dia antes do embarque. Todas essas informações devem ser reunidas em um atestado elaborado pelo Governo Americano. Caso essas medidas não sejam cumpridas, o passageiro estará sujeito a ficar em isolamento ao chegar no país.

Um pouco mais ao norte, o Canadá foi um dos países que aplicou a obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19 em sua população. O publicitário e designer Alexsandro Stumpf mudou-se com a esposa Carla para Vancouver no último Natal, em busca de uma nova experiência de vida. “Foi uma decisão difícil em meio à pandemia e ficamos ainda mais preocupados, pois nossa viagem ocorreu exatamente no pico da variante ômicron no Canadá”, conta o publicitário de 36 anos.

Entre vários documentos exigidos, a primeira dose da vacina é necessária para emitir o visto canadense. “Com o visto aprovado e os passaportes em mãos, fomos alertados que seria necessária a apresentação das duas doses da vacina em versão traduzida. Porém, o aplicativo do SUS havia sido hackeado e o acesso à plataforma dos comprovantes não estava em funcionamento. Sorte que a minha esposa havia feito o download do comprovante em português dias antes disso acontecer”, relata Alex.

O certificado de vacinação deve ser anexado no idioma inglês ou francês à plataforma ArriveCAN, lançada pelo Governo Canadense para fornecer informações de viagem obrigatórias. O casal precisou fazer a tradução do documento e apresentar também no aeroporto de São Paulo, onde realizaram um teste para Covid-19, que deve ser feito até 72h antes do voo para poder embarcar. Antes de chegar ao destino, o voo fez uma conexão em Toronto, onde tiveram que apresentar toda a documentação novamente para entrar no Canadá. Lá, realizaram um novo teste e preencheram um cadastro com o endereço onde ficariam hospedados e um telefone de contato. Alex e sua esposa precisaram ficar em quarentena por quatro dias enquanto aguardavam o resultado negativo, que foi comunicado por e-mail. O isolamento pode chegar a 14 dias caso o teste dê positivo.

O ex-professor universitário afirma que o Canadá tem rígidos protocolos de segurança. “Sempre tivemos que carregar junto o comprovante das vacinas e o passaporte, pois são vários os estabelecimentos que só permitem a entrada mediante apresentação desses documentos, principalmente em bares, restaurantes, cinema, onde você eventualmente precisará retirar sua máscara para se alimentar. Agora o ritmo parece estar voltando ao ‘novo normal’, mas sempre com o uso indispensável de máscaras em ambientes fechados e no transporte público”.


Alex e Carla mudaram-se para o Canadá no Natal, período em que houve um pico de casos da variante ômicron no país. Foto: Arquivo pessoal


No outro extremo do Oceano Pacífico, a Austrália é o país que mais restringiu a entrada durante a pandemia, reabrindo suas fronteiras para turistas totalmente imunizados – pelo menos sete dias antes do embarque – somente em fevereiro deste ano. Isto é o que tranquiliza a jornalista Stefania Martinelli, de 21 anos, que se prepara para um intercâmbio para o país. “Houve uma preocupação, porque além do país estar fechado e não saber se eu poderia viajar para lá, também tem toda a preocupação com a doença e os cuidados. Mas eu me senti um pouco mais segura tendo em vista que a Austrália foi um país que teve uma contenção muito grande em relação ao coronavírus”, afirma Stefania. Além do certificado que confirma a imunização, a Austrália requer um teste negativo emitido até três dias antes do embarque ou um teste rápido até 24 horas antes. Apesar da burocracia, Stefania diz que a preparação para a viagem está sendo tranquila.

AUTOR

Fernando Bortoluzzi

Jornalista e explorador em busca de expansão e conexão.
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