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26/08/2021 saúde

Amigdalite crônica

Cirurgia e imunidade.

As amígdalas são estruturas, semelhantes a “bolinhas”, que ficam localizadas na faringe (garganta), formadas por tecido linfóide e fazem parte da defesa do organismo. Chamada de amigdalite, a inflamação das amígdalas causa sintomas como mal-estar, febre e dor de garganta, gerando prejuízo na rotina. Essas infecções, às vezes, são pontuais, e o tratamento com antibióticos pode ser o mais indicado. 

Muitos pacientes, porém, têm suas amígdalas colonizadas por um biofilme, uma forma de organização na qual as bactérias se juntam e ficam mais fortes, dificultando o combate com antibióticos e causando infecções de repetição. Existem opções de tratamentos clínicos, como os lisados bacterianos, que são medicações feitas com pedaços de bactérias inativas e promovem maior agilidade do sistema imunológico. Tal tratamento tem boa eficácia na redução da frequência das amigdalites, mas nem todos respondem positivamente.

Nesses casos, assim como em complicações causadas por amigdalites, o tratamento convencional não é resolutivo, levando à indicação de cirurgia para remoção das amígdalas: a amigdalectomia. Ela é um dos procedimentos mais realizados no mundo (principalmente em crianças) e é muito comum que os pacientes tenham dúvidas a respeito. Um dos questionamentos mais comuns relacionados à cirurgia de remoção das amígdalas é: “Doutor, minha imunidade vai diminuir após a cirurgia?”

Essa questão é bastante pertinente, pois a função primordial das amígdalas é exatamente servir de apoio ao sistema imunológico na região da faringe, especialmente relacionadas com a imunidade das mucosas (chamado de sistema MALT). Mas o que nos mostra a literatura científica é bem tranquilizador.

Uma revisão sistemática publicada em 2019, procurou avaliar a imunidade de crianças antes e após a remoção das amígdalas. Demonstrou-se que a imunidade do paciente não altera de forma significativa, nem no pós-operatório imediato, nem no tardio. Nesse estudo, avaliou-se a imunidade humoral (relacionada a imunoglobulinas) e a celular (relacionada aos linfócitos). Os autores do trabalho concluem que outras estruturas linfóides (adenoide, tonsilas linguais, etc.) assumiram o papel das amígdalas na defesa da garganta contra infecções.

Resumindo, especialmente se a cirurgia for indicada por amigdalites de repetição, o efeito sobre a imunidade é bem positivo: o paciente adoece menos, reduz a ingestão de antibióticos e melhora sua qualidade de vida.

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*Rodrigo Kohler - Médico otorrionolaringologista, especialista em Medicina do Sono - CRM/SC 13278 - RQE 12381

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