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11/10/2022 cultura

Um crime bárbaro

Autora natural do interior de Santa Catarina transita entre realidade e ficção na construção de romance inspirado em assassinato de 40 anos atrás

Depois de receber a notícia do suicídio de uma de suas alunas, uma professora rememora um crime bárbaro acontecido 40 anos antes, em uma cidadezinha no interior de Santa Cararina. Maria Tommazino decide viajar de volta à cena do crime, buscando vestígios e ouvindo as histórias que até hoje se contam, que agora integram o romance Um crime bárbaro, de Ieda Magri, lançado em agosto deste ano pela editora Autêntica Contemporânea.

A doutora em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora de Teoria da Literatura nos programas de graduação e de pós-graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) é natural do município de Águas Frias (SC). Autora de outros quatro romances, Ieda se inspira em um crime real na construção de seu último livro.

A personagem Maria Tommazino tinha 4 anos quando acabou entrando, com seus pais, numa cena de crime ao visitar seus avós numa comunidade do interior de Santa Catarina muito próxima de onde ela também morava. O leitor acompanha o estado de estupefação da criança, e depois dela como adulta. No prólogo, conta-se praticamente todo o crime. A pequena personagem faz analogias entre o corpo da vítima e suas bonecas despedaçadas, bem como com uma história que ouviria já adulta, na qual um padre ressuscita uma vaca simplesmente colocando seus pedaços na ordem correta, natural, e dizendo a ela que ande. 

Ao buscar reconstruir a história violenta do assassinato, o romance acaba contando também outras histórias: a da própria narradora e de sua família materna e a das possibilidades dessa escrita que vai se tornando mais difícil quando a investigação encontra dificuldades intransponíveis, forçando constantemente a reflexão entre realidade e imaginação.

A professora narra a viagem que faz ao local do crime, as entrevistas com suas fontes — dois tios, uma vizinha da família da vítima, que esteve na cena do crime juntamente com o avô da narradora, e uma tia da vítima — e também as dificuldades de encontrar provas e vestígios que permitam que a história seja contada da forma mais verdadeira possível.

A narradora volta à cena do crime e conduz uma nova investigação, empreende outra vez a viagem ao lugar onde vivem seus pais e com a ajuda deles encontra e conversa com um dos apontados como assassino. Esse capítulo da história é ficcional, ao contrário do primeiro, explorando outra vez a dificuldade que o romance enquanto gênero encontra para ser verdadeiro sem ser inteiramente real.


Informações: Assessoria de imprensa

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Revista Flash Vip, contando histórias desde 2003.
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