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08/07/2021 cultura

Nas Pegadas do Sertão

As dinâmicas socioculturais entre caboclos e colonos durante o processo de colonização do Oeste catarinense.

Grande parte do que sabemos hoje é fruto de estudos, pesquisas, testes e registros feitos por nossos ascendentes. Muito foi passado de geração em geração para que conhecimentos, histórias, costumes e até mesmo etnias não fossem esquecidas no decorrer do tempo. Mas, de certa forma, com alguns eventos históricos e a evolução progredindo em ritmo muito acelerado, algumas questões foram perdendo espaço e visibilidade. É o caso da etnia cabocla.

Mameluco, Caiçara, Cariboca ou popular Caboclo, indiferente! Estamos falando de uma “sub-etnia” que existe no Brasil e representa o indígena brasileiro, fisicamente reconhecido pela pele acobreada e as características do homem branco europeu. Originados a partir dos processos de miscigenação que ocorreram no país durante o período da colonização, eles são parte da população brasileira e como qualquer outra cultura têm histórias e costumes para compartilhar e serem registrados.

No final do ano passado, o Edital Elisabete Ander de Estímulo à Cultura – Edital Anual promovido pela Fundação Catarinense de Cultura por meio do Governo Estadual de Santa Catarina – contemplou com incentivo financeiro a produção do documentário regional chamado “Nas Pegadas do Sertão”. O projeto vem sendo desenvolvido por uma rede de empresas, a BSK Filmes do produtor audiovisual Vagner Bozetto e a empresa Catavento Gestão e Produção Cultural, administrada pela gestora cultural Carmen Salvani, com o apoio de historiadores da região. 


“Acredito que projetos como o Nas pegadas do sertão, são muito importantes para compreensão da realidade histórico-cultural da nossa região”, declara a mestre em História pela Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS, Daiane Frigo, que compõe a equipe de profissionais responsáveis pelo projeto. Daiane comenta que o documentário irá retratar as marcas deixadas pela sociedade entre os grupos étnicos e provocará uma reflexão sobre o assunto, transcendendo a visão que se construiu especialmente sobre as pessoas de origem cabocla.

Sabe-se que com a chegada dos colonizadores em algumas regiões do Brasil, muitos dos Caboclos acabaram virando mão de obra barata e muitos tiveram que mudar-se para outros territórios por questões de posse “ilegal” de terras.  O documentário aborda um recorte histórico importante desde a época do contestado – meados de 1920 – até a formação do Oeste catarinense, mas, mais especificamente o legado deixado pela população Cabocla. O objetivo é entender o que aconteceu quando esses colonizadores chegaram em terras habitadas por Caboclos e no embate entre etnias. O documentário abrangerá cinco municípios da região: Pinhalzinho, Itapiranga, Formosa do Sul, Maravilha e Chapecó.  

“O que eu quero falar com esse documentário não é excluir uma ou outra etnia, muito pelo contrário, todas as etnias são importantes. O que a gente quer é também ressaltar um pouco da importância da etnia cabocla junto às demais, porque eles também contribuíram para a abertura de estradas, na construção de pontes, nas primeiras edificações, eles ajudaram os colonos a descobrir como funcionavam as ervas medicinais e as plantas”, comenta Vagner, que é formado em Comunicação Social com ênfase em Produção Audiovisual e está à frente do projeto, principalmente na captura de imagens, montagem e edição do documentário.

Fernanda Ben é empresária, historiadora, produtora cultural e mestre em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e também atua com projetos socioculturais na Catavento. Para ela, “Nas Pegadas do Sertão” é um projeto que permite aproximar e socializar ao público, de forma didática, a relevância dos caboclos no processo de formação da nossa região, trazendo exemplos e relatos significativos da atuação dessas comunidades. Contribui também para o desdobramento de futuras pesquisas sobre a temática em questão”. Fernanda afirma que existem inúmeras pesquisas científicas, livros, registros de história oral e projetos culturais realizados acerca do tema, mas nem sempre são conhecidos ou acessados pela comunidade escolar e o público em geral. 

A dificuldade do acesso à materiais culturais que retratam histórias da nossa região foi um dos fatores que motivou Vagner a dar vida ao projeto. Além do incentivo financeiro, editais como esse de estímulo à cultura, são aprovados apenas se as empresas e os envolvidos apresentarem, em contrapartida, um projeto de ação educativa nas escolas. Vagner diz que é uma grande oportunidade tratar deste tema em uma outra linguagem, talvez mais acessível que a linguagem acadêmica científica, ou seja, o audiovisual. “Então o que a gente quer sempre, é que as pessoas se apropriem deste material, que é muito rico. É importante destacar que tanto no site da Catavento quanto no meu site da BSK Filmes, tem conteúdos muito interessantes disponíveis de forma gratuita e não só para quem busca conhecimento, mas para quem gosta de consumir esse tipo de material, existem conteúdos muito bacanas, histórias de superação”, completa. 

O documentário não tem data exata para ser lançado, mas a previsão é setembro deste ano. Spoilers podem ser acompanhados nas mídias sociais, tanto no facebook quanto no instagram pelo @docnaspegadasdosertao. Apesar do prazo de lançamento estar distante, segundo Vagner, o projeto já está bastante adiantado e pelo que se projeta o tempo de duração do audiovisual, fechará em aproximadamente 20 minutos.


*Matéria de Paula Luiza Ceccon Eloy, estagiária de jornalismo da FV.

Fotos: Divulgação

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