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09/06/2020 moda

Moda Antirracista

A transmissão do comportamento através da moda.

“132 anos após a assinatura da Lei Áurea, e aqui estamos, lutando contra os traços perversos da escravidão que nos permeia através do racismo.” – Palavras de Levi Kaique Ferreira, criador de conteúdo digital, especializado em ativismo negro.

O que moda e racismo têm em comum? O que um “branco privilegiado” está falando sobre racismo? Essas são duas perguntas que podem surgir na sua mente e eu respondo ao longo deste post.

A partir do momento que entendemos que moda vem do Latim “modus” e significa modo, maneira, comportamento. Conseguimos compreender qual a relação da moda com o racismo. Como já diria Pierre Cardin, “A moda é a transmissão da civilização”. Estar na moda ou falar de moda é ter um relacionamento unilateral com comportamento humano. É sobre pessoas. Para pessoas. Pessoas possuem direitos e deveres. Sendo assim, ser negro é um direito, ser antirracista é um dever.

A moda sempre esteve presente em cada grande mudança ao longo dos séculos, como o uso do jeans e camiseta branca como protesto dos jovens da década de 1950 contra a sociedade de valores tradicionais, consolidando o que hoje conhecemos de vestimenta informal ou através de protesto disfarçado de “roupa” nos desfiles da Zuzu Angel que perdeu seu filho para a ditadura militar no final dos anos 1960.

A moda como opressora, capitalista e majoritariamente branca, agora tem um papel enquanto ditadora de comportamento, para reverter esse cenário. Agora é a vez de voltar os olhares para quem sempre teve suas vidas traçadas, em muitos casos, pela cor da sua pele.


Como diria o estilista Marc Jacobs sobre os saques e protestos que vem acontecendo em lojas de marcas luxuosas como a Dior, após o assassinato de George Floyd por um policial branco americano: “propriedades podem ser substituídas, vidas humanas não podem.”


O branco já pode se considerar um privilegiado pelo simples fato de não ser marginalizado, discriminado ou morto a cada 23 minutos no Brasil pela cor da sua pele (segundo dados da BBC). Mesmo assim, como branco, ainda que sem lugar de fala nessa luta, entendo como responsabilidade estar envolvido e apoiando essa batalha.


“Não basta ser contra o racismo. É preciso ser antirracista.” – Angela Davis, professora, filósofa e ativista norte-americana.

AUTOR

Bruno Gerhardt

Colunista convidado da FV, é Designer, Criador de Conteúdo e Especialista em Moda.
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