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23/06/2022 cultura

Encontros pela arte: o cineclubismo em Chapecó

Espaços de compartilhamento de opiniões e desenvolvimento do pensamento crítico. A arte cineclubista resiste

Os cineclubes são espaços de estímulo ao consumo de produções audiovisuais, ambientes educativos que promovem discussões e socialização. Originalmente, na França da década de 1920, os cineclubes eram encontros de amigos que procuravam lugares onde pudessem assistir e conversar sobre suas obras favoritas. No Brasil, o primeiro cineclube surgiu em 1928, no Rio de Janeiro, chamado Club Chaplin.

Os encontros tornaram-se tão populares que, em 1961, foi criado o Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, que busca desenvolver políticas públicas voltadas ao setor audiovisual, expandindo o alcance dos cineclubes.

Em Chapecó, a Humana Sebo e Livraria desde seu princípio foi pensada como um espaço de encontro e agenda cultural, não apenas do comércio de livros, mas também livre para o debate de ideias. Logo, a ideia de um cineclube sempre fez parte dos planos de Fernando Boppré, curador da Humana, uma vez que sua relação com o cineclubismo começou ainda na adolescência, em Florianópolis, ao frequentar exibições, e continuou ao longo de sua trajetória.

Para a escolha do filme, o grupo de colaboradores da livraria sugere obras historicamente relevantes ou importantes no cinema contemporâneo mundial. Além das exibições, o cineclube conta com presença de um debatedor que, muitas vezes, é responsável pela escolha do filme, com intuito de expandir o olhar de forma democrática e ampliar os enfoques da livraria. A pandemia, para Fernando, evidenciou ainda mais a importância das dinâmicas do cineclubismo, ao proporcionar encontros entre pessoas de diferentes cenários e contextos. “São encontros que podem gerar atrito por conta de diferentes opiniões, mas esse é o exercício democratico, as pessoas expõem suas ideias e podem debater livremente”.

Além da importância como ferramenta de desenvolvimento do pensamento crítico, os cineclubes também contribuem no desvio da cultura de blockbusters, trazendo para suas exibições pontos de vistas não hegemônicos de cineastas que se encontram às margens, em busca da não massificação do olhar do espectador, desenvolvimento do pensamento crítico. Para Fernando, "a escala da cultura e da arte às vezes é pequena, mas isso não quer dizer que a transformação é pequena”.

Gabriela Carolina Dreyer Rambo, é dona do brechó e ateliê Aversare e frequentadora assídua de cineclubes, para ela a experiência cineclubista traz reflexões sobre o consumo de produções audiovisuais, proporciona acesso a cultura e, por conta disso, possuem grandes impactos sociais e políticos. “O cineclube não é apenas sobre filmes. É sobre a curadoria e escolha com carinho e consciência de quem os planeja, é sobre encontros e trocas, é a espera de dias para a sessão, o ritual de sair de casa e estar em um outro espaço, é a oportunidade de ver algo inusitado e ter uma boa conversa depois”, destaca Gabriela.

Os encontros do cineclube da Humana Sebo e Livraria acontecem no primeiro sábado de cada mês. Em julho, o filme “Donna Haraway: contando histórias para a sobrevivência terrena”, de Fabrizio Terranova, será exibido no dia 2, às 16h, no Café Brasiliano. A debatedoras convidadas são: Emilia Braz, mestranda em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e a arquiteta e urbanista Eduarda Farina. Os ingressos podem ser retirados gratuitamente na Humana.

 

Texto: Milena Fidelis

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