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17/02/2022 registro

Casan assina termo para sanar escassez de água

Exigências foram apresentadas nesta manhã (17) pela Prefeitura de Chapecó. Caso descumpridas, prefeito João Rodrigues promete quebrar contrato com a estatal

A Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) firmou um termo de compromisso com duras exigências da Prefeitura de Chapecó para solucionar o problema da falta de água no município, causada pela falta de chuva na região. O documento foi assinado depois de uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta quinta-feira (17), após pressão do prefeito João Rodrigues (PSD), que disse que romperia o contrato com a companhia estatal caso as condições não fossem aceitas e cumpridas dentro dos prazos apresentados.

A empresa assume a responsabilidade de execução das ações (confira abaixo), e deverá apresentar os prazos de conclusão e recursos que serão utilizados. Na mesma ocasião – que contou com a presença da presidente da Casan, Roberta Mass dos Anjos – também foi assinado um decreto de Estado de Emergência por conta da forte estiagem, que abre caminhos para a estatal realizar as compras necessárias e colocar as exigências em prática com maior agilidade, sem a necessidade de licitações. Confira as exigências dispostas pela Prefeitura:


Abertura de novos poços

A Casan deverá dar início, em até 10 dias a partir de hoje, à perfuração de mais quatro poços artesianos, todos eles com no mínimo mil metros de profundidade. O objetivo é alcançar o Aquífero Guarani, o maior manancial de água doce subterrânea no mundo. O termo de compromisso também determina que sejam utilizadas bombas de captação de capacidade compatíveis com o volume de água do reservatório.

Dois deles serão abertos nos bairros Santo Antônio e Efapi, enquanto os outros dois serão definidos em conjunto pela Prefeitura e a Casan para serem abertos nas localidades identificadas como mais prejudicadas nos períodos de estiagem.

Recentemente, a estatal informou que perfurou três poços, sendo que um deles, no bairro Boa Vista,  não deu água suficiente, e os outros dois, do Esplanada e da Grande Efapi, já estão funcionando. Entretanto, ainda em capacidade insuficiente.


Desassoreamento do Lajeado São José e novo reservatório

A companhia deverá iniciar obras de dragagem e desassoreamento do Lajeado São José, principal reservatório de captação de água para o município, também no prazo de 10 dias. O lajeado fica localizado no bairro Engenho Braun, próximo ao bairro Eldorado, onde deverá ser construído um novo reservatório para captação de água bruta.

O objetivo é abrir um lago de 150 mil metros quadrados, que expandirá a capacidade de armazenamento de água do Lajeado para 500 mil metros quadrados. O documento também determina especificamente que a Casan faça uso de 10 escavadeiras hidráulicas, 30 caminhões caçamba e quatro tratores de esteira para as obras.


Captação de água do Rio Uruguai

A Casan terá o prazo de seis meses, a partir de hoje, para elaborar um projeto de captação de água do Rio Uruguai para abastecer Chapecó. O plano deverá ser implementado imediatamente após sua apresentação, com prazo para conclusão a ser definido em consenso com a Prefeitura. As obras devem iniciar necessariamente ainda em 2022.

Desde terça-feira (15), a companhia realiza a captação de água do Rio Uruguai com caminhões pipa para atender a população. A Casan informou que 20 caminhões-tanque seriam contratados para transportar água pelos 23 quilômetros entre o Goio-Ên e o Lajeado São José.


Captação imediata de água de reservatórios na região

A estatal deverá iniciar imediatamente a captação de água bruta em mananciais, reservatórios naturais e/ou artificiais na região de Chapecó, por meio de caminhões pipa. Também deverá providenciar a instalação de uma estação de tratamento compacta durante o período necessário para o tratamento e fornecimento de água para a população.

A companhia deverá providenciar também, em até cinco dias, no mínimo, 10 caminhões para o abastecimento durante o período de emergência. Outros 20 caminhões pipa deverão ser disponibilizados para sanar as necessidades dos compromissos firmados nos ítens anteriores.



Nova gestão, velho problema

A escassez de água durante os períodos de estiagem não é novidade para a população de Chapecó. Durante a campanha eleitoral de 2020, a solução do problema foi pautada por todos os candidatos, e uma das principais bandeiras levantadas por João Rodrigues. O então prefeito eleito realizou uma reunião com a Casan poucos dias após sua eleição, onde já alertara a possibilidade de rompimento do contrato e a municipalização dos serviços de saneamento básico caso o problema não fosse resolvido de forma definitiva. Durante esta semana, o prefeito esteve em viagem a Brasília para buscar recursos e soluções para a escassez de água, que piora a cada ano.

Na coletiva desta manhã, João Rodrigues disse que romperia imediatamente o contrato com a Casan, mas que isso acarretaria em mais 90 dias para montar uma estrutura com recursos da Prefeitura. “Conversamos com a Casan e exigimos que tomem as medidas que nós tomaríamos caso o serviço fosse municipalizado. São investimentos de aproximadamente R$ 100 milhões, com prazos definidos. Caso não seja cumprido, vamos romper o contrato”, afirmou na coletiva de imprensa desta manhã.

A presidente da Casan disse que a empresa investiu R$ 21 milhões para ações imediatas em Chapecó no ano anterior, mas que esta é a pior estiagem desde 1947. “Essas são ações severas, ações que realmente trazem um compromisso muito grande, mas com certeza um compromisso merecido pelo município, que a Casan precisa fazer realmente para que tenha algo de imediato. A gente sabe que a previsão de chuva não é [para] tão cedo”, afirmou Roberta, ressaltando a função de prestação de serviços da empresa.

Atualmente, a empresa realiza o fornecimento de água em dias alternados em 26 dos 50 bairros do município. Pessoas relatam estar há três dias sem abastecimento. Segundo a Casan, a medida vai até o dia 28 deste mês, mas poderá ser estendida por conta do agravamento da estiagem. Uma nova Estação de Tratamento de Água também deve ser construída na barragem do Rio Tigre, em Guatambu.


Fotos: Leandro Schmidt | Prefeitura de Chapecó

AUTOR

Fernando Bortoluzzi

Jornalista e explorador em busca de expansão e conexão.
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