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31/05/2022 responsabilidade social

Você não está sozinha!

Projeto acolhe mulheres que vivenciaram ou sofrem violência de gênero

O isolamento social forçado pela pandemia de Covid-19 fez com que as mulheres tivessem ainda mais contato com seus agressores. Os casos de violência contra a mulher aumentaram significativamente neste contexto. Oito em cada 10 vítimas sofreram abusos psicológicos durante a pandemia. Mais da metade das mulheres também foi violentada sexualmente pelos companheiros ou ex-parceiros. Estes são dados divulgados pelo Justiceiras, projeto criado para atender mulheres em situação de risco, que atua com rede de 10 mil voluntárias no Brasil. Os dados têm como base os 9,5 mil atendimentos, realizados entre março de 2020 a março deste ano.

Monique Detoni, de 29 anos, é uma das vítimas de violência de gênero. Durante três anos, a chapecoense viveu um relacionamento abusivo e foi violentada psicológica e fisicamente. Foi através da psicoterapia que percebeu os abusos e terminou a relação. A partir da experiência sofrida, somada ao aumento dos casos de violência contra mulher e à formação em Psicologia, surgiu em 2020 o desejo de criar o En Ona, projeto que atende mulheres de baixa renda que vivenciaram e sofrem violência doméstica, sexual, psicológica, física, patrimonial ou no trabalho, seja pelo parceiro(a), parente ou familiar. “O En Ona nasce com o propósito de acolher estas mulheres, para que sintam que não estão sozinhas, pois existem pessoas dispostas a ajudá-las a sair dessa esfera de sofrimento”, compartilha Monique. 


“Ao acolher estas mulheres violentadas, se sentirão pertencentes a um grupo de pessoas que já passou pelo que passaram e irão perceber que não estão sozinhas.”
-Monique Detoni, psicóloga, criadora do En Ona


A iniciativa conta com profissionais voluntários para atender a mulher em diversos sentidos. De início, ela será acolhida pelas psicólogas e fará sessões de terapia semanalmente, mas também pode participar de outras atividades, como a prática de yoga e meditação, sessão fotográfica e consultoria de estilo. As diferentes formas de acolhimento têm o intuito de fazer com que a mulher perceba que está em uma condição de violência e ajudá-la a reerguer-se. Ela terá o contato com o sagrado feminino – conectando-se com seus ciclos e consigo mesma – , a autoestima valorizada através da fotografia e reconhecimento de sua identidade, muitas vezes perdida por conta dos abusos.

A aula de yoga contribui no tratamento de traumas, depressão e ansiedade, cuidando do corpo e da mente. “É um trabalho que leva a pessoa a olhar para dentro de si e despertar os potenciais acessando o corpo energético, as camadas internas. É preciso trazer para si a consciência do corpo e compreender que ele é sagrado e devemos cuidá-lo com carinho”, manifesta uma das profissionais do projeto, a terapeuta holística Rosana Reginatto.

Stephanie Corazza Moreira, advogada voluntária, orienta de forma jurídica as mulheres acolhidas. “Elas precisam ter ciência dos seus direitos, como a denúncia, medida protetiva, casa de acolhimento e quais procedimentos devem seguir para sair desse ciclo de violência”, explica.

O En Ona vai além de Chapecó. Os profissionais que possuem espaço físico o disponibilizam para atendimento, mas aqueles participantes que não moram na cidade, serão acolhidos pelas plataformas online. O projeto está sendo regularizado como associação com personalidade jurídica e, posteriormente, o objetivo é transformá-lo em uma organização não governamental para, a partir daí, buscar subsídios públicos a fim de construir uma sede, aumentar o campo de profissionais e as demandas de atendimento. 

AUTORA

Mirella Schuch

Futura jornalista. Curiosa e amante da escrita.
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