Home > guia cultural > Espaço e seu infinito
07/04/2021 guia cultural

Espaço e seu infinito

Um jogo infinito, outro sobre a finitude.

Pense sobre o espaço. O sideral mesmo. Muitas coisas vêm à sua cabeça, mas não tenho dúvida que a maior parte delas remete à cultura popular. Star Wars, Star Trek, Duna… várias obras ficcionais abordam a temática. Nada mais evidente: poucas coisas suscitam tanto o imaginário quanto a infinitude e os mistérios espaciais. 


Minha proposta para esta edição são dois jogos de espaço, mas um diferente do outro. Prometo que ambos valem a pena. 

Em 2016, uma proposta ambiciosa vem à tona com muita polêmica. No Man’s Sky prometia um jogo de exploração espacial com nada menos que 18 quintilhões de planetas a serem explorados, cada um com ambiente e flora únicos, sendo possível, inclusive, encontrar outros jogadores e descobrir a mitologia de uma antiga raça que permeia o universo. Toda essa ambição não foi contemplada no lançamento. Promessas faltantes e vários recursos ausentes desencadearam fortes críticas que quase afundaram o jogo. Quase. Os desenvolvedores começaram a elaborar diversos patches e atualizações que deixaram o jogo no patamar prometido. Importante falar: todas atualizações gratuitas. A partir daí, No Man’s Sky se tornou uma epopeia espacial em que cada planeta é um novo mistério, novos materiais e novos encontros. Uma viagem de exploração virtualmente infinita. 

Mas e se você tivesse muito pouco tempo até tudo isso acabar? 

Aí então temos Outer Wilds. Eu não estava preparado para Outer Wilds quando comecei. Não estou até hoje. No jogo, você é um piloto prestes a partir de um pequeno planeta que faz parte de um sistema solar bastante exótico. Os exploradores deste planetinha (que se denominam Outer Wilds) objetivam descobrir pistas sobre uma civilização que esteve presente por lá há muito tempo. Os indivíduos estão espalhados pelo universo e cabe a você encontrá-los para descobrir e… o fim chega. Em 20 minutos. 

Após 20 minutos o sol do sistema solar se transforma em um supernova, explodindo você e tudo mais. Então, você acorda novamente onde o jogo começou. Você lembra tudo que aconteceu, mas ninguém mais ao seu redor o sabe. 

Começa a sua jornada pelo ‘sisteminha’, tentando descobrir o que aconteceu, mas sempre tudo acaba após 20 minutos. A única coisa que continua com você é o que você aprendeu para coletar as pistas e chegar ao devido caminho. Cada planeta tem uma nova peculiaridade e as brincadeiras com a física são deliciosas. 

Um dos jogos que tocou mais fundo meu coração. Um jogo infinito, outro sobre a finitude. O que ambos têm em comum? Oras, a curiosidade! A aventura! Desbravar o que não se conhece! O mesmo ‘le motif’ que fez você abrir essa revista e procurar por algo diferente. O medo que te circunda de entrar em algo novo é ainda sobreposto pela emoção de ser o primeiro a encontrar aquilo. É a curiosidade de saber o que vem a seguir. 

A mensagem que ambos os jogos me trazem é tão antagônica quanto semelhante. Seja na exploração infinita, seja pela introspecção de fazer parte de algo muito maior do que nós mesmos. No fim, tudo tem a ver com a curiosidade.

AUTOR

Angelo Parisotto

Colunista convidado da FV, é professor universitário. Joga mais do que é saudável, mas menos do que gostaria.
LEIA TAMBÉM